“Nepal: Uma foto por cada história”, com Daniela Agostini

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Daniela Agostini relatou sua experiência no Nepal com seu projeto fotográfico autoral, durante a palestra ministrada nas Satyrianas, no último sábado. Leia abaixo.

Nos primeiros dos 40 dias que ainda restavam na capital Nepalesa, as imagens contavam sobre o medo de estar só em um ambiente nada familiar, sobre o olhar turista de quem vê pela primeira vez a arquitetura oriental e sobre rostos que nada falavam, já que a comunicação era quase nula devido a dificuldade com o idioma. Seguiram-se assim os dias, até o momento em que perdida em alguma das tantas ruelas barulhentas de Kathmandu, um grupo de crianças repetia incansavelmente a palavra “photo” e sorria logo depois de encontrar seus rostos registrados no visor da câmera. A satisfação sentida na troca daqueles sorrisos me estimulou a buscar novos rostos, imprimir seus sorrisos e presenteá-los com fotografias. Os primeiros retratados foram mais tímidos, não entendiam meu interesse em registrá-los e normalmente não esperavam outra visita. Quando eu retornava com a foto em mãos, a timidez abria espaço à surpresa do reencontro e palavras soavam entusiasmadas ao olhar para o papel.

Foram muitos encontros e a possibilidade de novos fluía com a excitação de cada foto impressa. As histórias desses retratos ganhavam vida em cada volta ao humilde laboratório, que pedia o prazo de dois dias para entrega, pois dependia do pouco tempo que a cidade dispunha de energia elétrica. Na cama do hotel, as fotos espalhadas me contavam sobre essas novas amizades e me despertavam para um novo dia de entrega, onde o caminho, agora familiar, me levava para o interior das casas onde serviam curry apimentado e chá com leite. Entre um gole e outro, deu-se início a minha história com Maya e seus familiares, que dividiam um pequeno espaço onde as mulheres cozinhavam e os homens jogavam baralho. Na sala de paredes vazias da Asha, dividíamos noodles e chá enquanto colávamos as fotos para um mural, com retratos de todas as crianças que viviam naquele orfanato. O restaurante do Suraj me recebia no final do dia com chá de sal negro, para combate à qualquer estranhamento culinário.

Quando por curiosidade segui o menino de azul, na porta do local que logo descobri ser uma escola, crianças pulavam e pediam fotos, enquanto a professora explicava que eles nunca haviam posado para um retrato. Nesse momento percebi que o projeto fluía independente de mim.

Eu voltei ao encontro de todos eles e o retorno que concebia proximidade, marcava também o início dessas histórias. A forma que perpetuaria aquele instante me conduziu para além da cultura e o olhar íntimo e familiar passou a ser o idioma em comum.

“Nepal: Uma foto por cada história”, fala sobre a desconstrução de barreiras culturais e o olhar turista através da troca. Fala sobre relações que independem de palavras. Conta histórias sobre o tempo presente e mantêm-nas vivas até que desbote, em estantes e paredes onde cada imagem foi fixada.

Fotos Nepal: Daniela Agostini
Fotos da palestra: Luciana Camargo

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